Na chuva
Pode ser a chuva, o inverno, a ventania, o frio. O frio do coração outrora aquecido, agora desquecido. Podem ser os corpos, expurgados do físico, atrelados ao ínfimo. A dedicação intelectual insaciável, incomunicável. A energia tentando ser preservada, resguardada, porém muitas vezes desperdiçada.
Porque todos somos pelo menos quatro em um só, embora a maioria tente transformar sempre dois em um. Um amor, um só coração. A verdade é que se passou um ano sem poesia, sem frio na barriga. Tentativas vãs e conscientes. Agora a vontade de falar bobagens volta, arredia. No fundo tinha tudo para dar certo, mas a sensação é de um começo errado. E haverá de haver caminho correto?
A bola de neve é um sinal. Pode virar uma avalanche, sair rolando morro abaixo, trazendo uma enxurrada de sorrisos e novidades. Pode apenas derreter, virar gota de água fria, parada no chão, pisoteada por botas de lutas.
Não exagere, sequera valeria um traçado numa folha usada se não fosse todo um turbilhão calmo de acontecimentos. Sem saco para canções.
