Out of order
Chegou em casa desesperada. Na verdade, mal havia saído. Levou uma hora se arrumando: blusas, shorts, saias, cabelo, maquiagem, pulseira. Ah! perfume e celular.
Atravessou a porta da rua, chave do carro. Estaria pronta. Saída comum, vinha fazendo a mesma coisa nos últimos 8 anos pelo menos. Mesmas pessoas, mesmos lugares. Chegou. Gritos, discussões, palavrões.
Se retirou. Dormiu. Seria problema dela mesma ou das pessoas?
Com certeza era dramática, chata, arrogante, cheia de teorias. Queria provar ser diferente, simpatica, amigavel.
Sinceramente? Era pedir demais. Estariam ou problemas nela mesma ou nas pessoas?
Voltou. Choro preso, garganta dolorida, cabeca pesada. Trancou a porta, fechou-se em seu cantinho. Misturou-se a sua bagunca e ao seu computador. Sentiu-se um pouco melhor. Lembrou dos momentos bons e ruins que este a teria proporcionado. Rascunhou uma mensagem, nao, queria mesmo telefonar.
Estaria saudosa por estar doente ou estaria doente por estar saudosa?
Tentou chorar, ha tempos nao fazia isso, talvez fosse a solucao. Bateram na porta. Esta tudo bem? Estou um pouco doente, mas ja vou dormir. Se sentira um pouco melhor, alguem a havia notado. Mas nao era a mesma coisa. O coracao era maior, mas ja era de se esperar.
Queria o inesperado, fosse mais ousada quereria o impossivel.
Passeou em alguns textos. Leu mentes de algumas amigas escritoras. Ela sim, sabem escrever. Tivera achado seu remedio.
Elas tambem eram inseguras, elas tambem eram fracas, elas tambem eram confusas.
Nao estou sozinha.
