Bola de neve

Thursday, February 21, 2008

Sexo X Amor e muitos pensamentos esclarecidos

O amor é a realização mais completa das possibilidades do ser humano. É o mais íntimo e o maior, é onde ele encontra a plenitude do seu ser, a única coisa que pode absorvê-lo inteiramente.
O entusiasmo que produz uma paixão pura e sincera retira o homem ou a mulher de si mesmo para se entregar e viver para o outro: é o maior entusiasmo que a maioria dos seres humanos têm em suas vidas.
Quando a paixão e o amor se unem em entrega mútua, então é possível alcançar um alto grau de felicidade e prazer. Em contrapartida - como escreveu Mikel Gotzon Santamaria - quando se prima pela busca do simples prazer físico, esse prazer tende a converter-se em algo momentâneo e fugidio, que deixa um rastro de insatisfação. Porque a satisfação sexual é na realidade apenas uma parte, e talvez a mais pequena, da alegria da entrega sexual de alma e corpo própria da entrega total do amor conjugal.
Sendo o sexo expressão da nossa capacidade de amar, toda a referência sexual chega até ao mais fundo, ao núcleo mais íntimo, e implica a totalidade da pessoa. E, precisamente por possuir tão grande valor e dignidade, a sua corrupção é particularmente corrosiva.

Ainda que pareça demasiado forte, penso que não exagero, porque tudo isso tem algo de atentado contra um inocente. Romper nesses rapazes e raparigas o vínculo entre sexo e amor é uma forma perversa de quebrantar a sua honestidade e a sua sensatez, tão necessárias nessa etapa da vida. Os primeiros movimentos e inclinações sexuais, quando ainda não estão corrompidos, têm uma mescla de entusiasmo, de amor puro, de juventude. Irromper neles com a mão grosseira da sobreexcitação sexual danifica torpemente a relação entre rapazes e raparigas. Nas palavras de Jordi Serra, " não se maltratam atando-os com uma corda, mas escravizam-se submergindo-os num mundo irreal".

Tal como o uso inadequado do álcool conduz ao alcoolismo, o uso inadequado do sexo provoca também uma dependência e uma sobreexcitação habitual que reduz a capacidade de amar. E, de maneira semelhante, tal como o paladar se pode estragar pelo excesso de sabores fortes ou picantes, também o gosto sexual estragado pelo erótico se torna cada vez mais insensível, mais ofuscado para perceber a beleza, menos capaz de sentimentos nobres e mais ávido de sensações artificiais que com facilidade conduzem a desvios estranhos ou a aborrecimentos máximos.
Quando uma pessoa adquire o hábito de se deixar arrastar pelos olhos, ou pelas suas fantasias sexuais, a sua mente tenderá a uma carga de erotismo que disparará os seus instintos e lhe dificultará conduzir a bom porto a sua capacidade de amar.

Aprender a amar.

O homem, para ser feliz, tem de encontrar resposta para as grandes questões da vida. Entre as questões que afectam o homem em qualquer tempo e lugar, que apelam ao seu coração, que é onde se desenvolve a trama mais importante da sua história, está, inquestionavelmente, a sexualidade. Se uma pessoa não adquirir o domínio necessário sobre a sua sexualidade, vive com um tirano dentro de si.

Como dizia Chesterton, pensar numa desinibição sexual simpática e desdramatizada, na qual o sexo se converte num passatempo bonito e inofensivo, como uma árvore ou uma flor, seria uma fantasia utópica ou um triste desconhecimento da natureza e da psicologia humanas.Tenderá a ver o outro de um modo interesseiro, apreciará acima de tudo os valores sensuais ou sexuais dessa pessoa e fixar-se-á muito menos na sua inteligência, nas suas virtudes, no seu carácter ou nos seus sentimentos. O despertar do prazer erótico antes de tempo costuma ocultar a necessidade de criar uma amizade profunda e pura. Aliás, uma relação baseada apenas numa atracção sensual, tende a ser flutuante pela sua própria natureza, e é fácil que em pouco tempo - ao desvanecer-se esse atractivo - acabe em decepção, ou até numa reacção emotiva negativa, de antipatia e desafecto.

Depende da profundidade que tenha a deterioração e, sobretudo, de se é firme ou não a decisão de a superar. O fundamental é reconhecer sinceramente a necessidade de proceder a essa mudança e decidir-se verdadeiramente a realizá-la.
É como um desafio: é preciso purificar, encher de higiene a imaginação, de limpidez a memória, de claridade os sentimentos, os desejos, a pessoa na totalidade.
É - noutro âmbito muito mais sério - como treinar-se para recuperar a frescura e a agilidade depois de ter perdido a boa forma física.

Se não educamos a nossa capacidade de amar e de nos entregarmos por inteiro, em vez de expressar amor comportar-nos-emos de forma rude, como sucede a quem não sabe falar ou comer.Cultivar-se assim é uma forma de se aproximar ao que cada um entende que deve chegar a ser. Com esse esforço de automodelação pessoal, de autoeducação, o homem faz-se mais humano, personaliza-se um pouco mais a si próprio.

Educar a sexualidade

Se não se conseguir essa educação dos impulsos, a sexualidade, como qualquer outra apetência corporal, actuará a nível simplesmente biológico, e então será facilmente presa do egoísmo típico de uma apetência corporal não educada. A sexualidade expressar-se-á de forma parecida a como bebe e come ou se expressa uma pessoa que quase não recebeu educação.
Romper nesses rapazes e raparigas o vínculo entre sexo e amor é uma forma perversa de quebrantar a sua honestidade e a sua sensatez, tão necessárias nessa etapa da vida. Os primeiros movimentos e inclinações sexuais, quando ainda não estão corrompidos, têm uma mescla de entusiasmo, de amor puro, de juventude. Irromper neles com a mão grosseira da sobreexcitação sexual danifica torpemente a relação entre rapazes e raparigas. Nas palavras de Jordi Serra, " não se maltratam atando-os com uma corda, mas escravizam-se submergindo-os num mundo irreal".
Como escreveu Tihamer Toth, a castidade é a pedra de toque da educação da juventude. Pela intensidade e veemência do instinto sexual, esta virtude é das que melhor manifestam o esforço pessoal contra o vício. Talvez por isso a história seja testemunha de que o respeito à mulher sempre tenha sido um índice muito revelador da cultura e da saúde espiritual de um povo.

Tal como o uso inadequado do álcool conduz ao alcoolismo, o uso inadequado do sexo provoca também uma dependência e uma sobreexcitação habitual que reduz a capacidade de amar. E, de maneira semelhante, tal como o paladar se pode estragar pelo excesso de sabores fortes ou picantes, também o gosto sexual estragado pelo erótico se torna cada vez mais insensível, mais ofuscado para perceber a beleza, menos capaz de sentimentos nobres e mais ávido de sensações artificiais que com facilidade conduzem a desvios estranhos ou a aborrecimentos máximos.

Quando uma pessoa adquire o hábito de se deixar arrastar pelos olhos, ou pelas suas fantasias sexuais, a sua mente tenderá a uma carga de erotismo que disparará os seus instintos e lhe dificultará conduzir a bom porto a sua capacidade de amar.

- E não haverá outra solução senão reprimir-se?

Penso que não é uma questão de reprimir-se, mas antes de direccionar bem os sentimentos. Basta que a vontade se oponha e se distancie dos estímulos que resultam negativos para a própria afectividade. É preciso travar os arranques inoportunos da imaginação e do desejo, para assim ir educando essas potências, de forma a que sirvam adequadamente a nossa capacidade de amar.

Quem se esforçar nessa linha pouco a pouco aprenderá a conviver com o seu próprio corpo e com o dos outros, e tratá-los-á como merece a dignidade que possuem. Gozará dos frutos de ter adquirido a liberdade de dispor de si e de poder entregar-se ao outro. Viverá com a alegria profunda de quem desfruta de uma espontaneidade madura e profunda, na qual o coração governa os instintos.

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