Bola de neve

Thursday, July 03, 2008

Curto circuito

Dois meses e o circuito continua mal instalado. Como um carro, com os cabos da bateria meio-frouxos: às vezes pega no tranco, na maioria, nem liga. Só com a ajuda de um mecânico, que chega rápido, sem demora, sem pieguices. O carro pega, vai embora, e quando percebe, mal sente as mãos de graxa a tocar-lhe, a consertar-lhe.

Assim tem sido. Assim tem estado.

Ao menos aprendeu a sair, ficar e voltar cedo. Aprendeu a controlar as crises - ao menos em público. Ela que era de falar, falar, falar, agora, mal a reconhecem, senta-se e só faz ouvir. Era que ela de dançar, dançar, dançar, mal se mexe, agora só faz observar. Ela que era de viver, viver, viver, agora mal se anima, só faz assistir.

Ainda houve aquele feriado de licor, tempo frio e forró. Ah... cachoeiras, água gelada, fotos, comida natural. Achou que fosse a cura, mas voltou ainda mais envenenada. Um dia de pânico. Um filme de drama. Borboletas e choro.

Ela sabe o que quer, mas precisa ser forte para largar o vício. Isso, como um vício. Alivia a dor na hora do êxtase, mas dilacera ainda mais quando o efeito passa. Melhor largar de uma vez e sofrer com a abstinência: não mais emails, não mais telefonemas, não mais mensagens de texto.

E já sabe a solução. Naquele sábado de sono, a música, o cheiro e os pneus lhe mostraram o caminho. Um caminho. Seria uma boa saída, mas ela insiste em continuar dando voltas no estacionamento, sem sair do mesmo andar. Sabe que precisa determinação, e, algumas vezes um mapa, um guia. Escolhe seu guia e segue em frente. Tenta ser feliz de novo.

"Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você"

0 Comments:

Post a Comment

<< Home